Foi naquele cinza abafado de corredores sem janela que eu te vi pela primeira vez. Tão claro, tão puro, que respingou em mim, assim, só de existir, pra depois me convencer com as pinceladas gentis dos sorrisos sem-graça. Tão sutil que fez cócegas.Aquele cinza abafado hoje está colorido - de cores que eu nem conhecia. E nessa aquarela de memórias que não são minhas, mesmo tão alvo, você se esconde bem por trás da tela em branco. E me despe, traço a traço, e pinta meus segredos como flores de verões amenos, como se conhecesse o contorno dos meus sonhos.
Esse é um esboço das manchas indeléveis que você deixou na minha roupa, nos meus cadernos e na minha vida desde que o acaso te trouxe pra pintar perto de mim.
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